quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Ardo no fogo da incerteza de não saber onde pisar.
Piso na certeza de que meu passo é incerto.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Ímpar, par

Só. Solitariamente sozinha. Sonolenta, lenta, briguenta. Na solidão conhece uma pessoa ímpar e, então, dá-se um par.
Mas, o meu par é ímpar! É porque é de uma unidade tremenda! É único.
Se eu te contar um segredo, ou mais do que um, te garanto terminar em ímpar. Mas eu e pra quem conto forma um par.
Hoje é confusão, eu sei. Mas amanhã, não que possa piorar, mas aumenta. E, não é por nada, mas tem se queixado que o cutuvelo dói. Dói de dor duída e mandinga, mendinga também pela aparição da solução sem se quer mexer os dedos cravados no chão.
" O tempo passa, e o trem só vai passar as 4 da manhã, agora ". Não que eu queira ser incoveniente ou acabar com o solene voo dos confetes e balões pelo ar, mas, hoje eu estou ímpar, e preciso de um par.
Estou só, solitariamente sozinha na minha solidão e, SONOLENTA, lenta, briguenta, marrenta. Tenho um par e, meu par é ímpar, é incrível. Mas no outro sentido eu estou ímpar.
Meu sobrenome é confusão. E não é que eu não tenha fé da solução, mas é que amanhã pode aumentar, estufar, estourar.
Me falta receber uma carta, sabe? Um telegrama, não um SMS. Eu quero algo escrito a tinta e a mão. Me falta uma única peça pra terminar com o quebra-cabeça. Vio? Uma peça, uma é ímpar. Ah, eu estou ímpar hoje.
Mas, não pestaneja não, ouviu? Não espera dar 4 horas pra, aí sim, resolver pegar o trem. Eu quero ser seu, seu, seu e seu par. Não é desse, daquele, se quer daleque outro ímpar por aí que eu quero vir a me somar. Eu estou ímpar, imparciavelmente ímpar, de uma maneira, que não é ímpar.
Eu quero ser seu par.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Thanks Giving

OBRIGADA!
É o que desejo lhe dizer nesse instante, Senhor. É o que preciso lhe dizer, preciso te agradecer por ter feito de mim o que sou e ter dado a mim o que dá. E, não somente neste dia, o mais viável de todos, mas em qualquer outro. Não importa quando e quantas vezes: OBRIGADA!
Eu me vejo segura envolvida em Tua salvação. Eu vejo que meus passos não precisam mais ser seguidos por outros para dar certo. Eu vejo a capacidade que o Senhor coloca cada vez mais intensa em mim. A confiança, Senhor, a que o tu depositas em mim e, assim, me faz depositar em mim mesma.
Não há, de maneira alguma, como temer diante de algo ou alguma circunstância, e essa é uma das dádivas maiores: ao Teu lado, tudo é certo.
A incerteza muitas vezes é o que nos manda para o lado errado, nos faz seguir caminhos onde somente encontraremos os oceanos mais profundos e destinos sem trilhas. Mas, na Tua certeza, meu Pai, encontro mais do que a paz e o amor pelo qual luto encontrar toda vida. Em Tua certeza, encontro a certeza de quem sou e de que tudo, absolutamente tudo vai dar certo, mesmo quando parece estar errado. Somente o Senhor sabe e, assim nos mostra, que da Tua maneira é o correto, é o melhor, é perfeito.
Eu não consigo mais me ver fora do círculo do Teu amor. Eu quero te amar até onde o amor esgota e volta a se encontrar para assim te amar ainda mais. Eu se quer consigo imaginar que haja alguém que não te ame tanto.
A diferença da minha vida em Tuas mãos, comparada a anteriormente, é tão grande, meu Pai. Eu tenho tanta fé em Tua palavra, que sei que meu futuro, minha vida, minha alma e meus desejos mais profundos serão alcançados da maneira mais maravilhosa possível.
Em Tua palavra eu encontro mais do que a explicação do que sou e de onde vivo, do porque estou aqui ou do lugar para onde vamos. Eu encontro a calma, o alívio e a serenidade que somente o Senhor poderia me passar e, assim, me livrar de toda a angústia que ousar cruzar meu peito. Encontro a coragem, bem maior do que eu pensava poder ter, e esta me faz ter sede da vitória em Tua glória, meu Pai, e gritar na felicidade da conquista o Teu sagrado nome, pois o Senhor a faz possível a cada segundo. Encontro a saída, a chave de tudo, absolutamente tudo. É o mundo, tudo de bom do mundo em palavras que, na verdade, não saem somente de Tua boca, mas também de Teu coração.
Nenhum dos prazeres mundanos chega a atingir se quer o mínimo do bem triunfal que de Ti se espalha. Nada neste mundo se compara com o Teu mundo, onde homens ainda não destruíram o que por Teu Deus foi feito e profetizado.
Meu Pai, eu quero ter-te comigo até a eternidade e além. Quero te seguir, te louvar e te amar de todas as maneiras. Quero dizer-te o quanto amo ser quem sou em Ti, o quanto amo te amar e te seguir. Quero espalhar teu amor por onde eu passar, pois esta é a salvação pela qual todas procuram e ainda não entenderam que Tua alma divina é a única maneira. O que vem de Ti, é Teu, e eu, meu Pai, me entrego nestas palavras, mais uma vez, em Tuas mãos. Cito novamente que pertenço a Ti e ao Teu reino. Sou instrumento de Teu amor e de Tua palavra. Sou testemunha de Teu poder divino e generoso, que além da vida nos deu a possibilidade de nela te amar.
Obrigada, meu Pai. Novamente obrigada. Agradecerei-te a todo o instante por me fazer capaz de alcançar o que do mundo é de melhor. Obrigada por me fazer capaz de sentir o que é, na verdade, uma das melhores coisas que veio de Ti: O Amor. E este meu amor, faz moradia e é baseado em Ti, somente em Ti, para todo o sempre que a eternidade durará.
O Teu amor é, porque é de fato, além do que eu possa entender, e me faz perceber que o entendimento neste caso é de pouca importância: Teu Amor é glória, é a vida dentro de cada uma de Tuas obras. E, meu Deus, eu amo pertencer a Ti.

sábado, 21 de novembro de 2009

O Amor da Minha Vida

Muitas pessoas, quando vem a se referir ao "amor de suas vidas" tratam de um homem ou uma mulher, um companheiro ou companheira no sentido "casal ou carnal" ou como você preferir.
A questão é: quem seria o amor da sua vida, realmente? E, ainda mais importante: o que isso significa?
Em mim, creio que o amor da minha vida seja uma pessoa na qual meu amor está depositado em condições extremas, irrevogáveis e incontestáveis, as quais me impedem de me afastar por mais de quarenta e oito horas desse ser sem pelo menos falr um oi pelo telefone.
O amor da vida de alguém, são sonhos. Tanto os que a pessoa simboliza como os que se realizaram e se realizarão ao lado da mesma. É, além de sonho, braço direito e até mesmo o esquerdo junto, pois, sem tal, você não poderia manusear tais sonhos. E são também as pernas, as duas, porque sem ambas, não poderíamo se quer caminhar.
É, ainda, um amor exclusivo, diferente, inesperado. É conquista. O amor sem ser aquele o qual você nasce condicionado a amar. O amor da sua vida não se joga na sua frente, você o encontra, o planta, o cultiva... E daí por diante, só colherá das maçãs mais vermelhas.
Aí, eu te pergunto: o amor da sua vida é seu maior amor?
E, então, com certeza pode-se dizer que de amor ele é cheio, transborda, se desfigura no concentrado de batimentos felizes dados ao lado dessa pessoa. E, o amor da tua vida, só pode ser o tal, se bater o coração fugazmente, também.
E, não, não digo que o amor da tua vida não é seu namorado ou sua namorada, que não teu parceiro ou parceira, ou a quem você deposita os teus beijos. Que não é teu pai ou tua mãe, se quer teus irmãos ou irmãs. Pode-se ser eles, é claro. Cada um sabe de seu amor, de sua vida, do amor de sua vida.
Mas, o que eu quero dizer, é que eu já encontrei o meu. E ele é inexplicável, irrevogável e incontestavelmente inacabável. E, eu só posso ter dado fermento a ele, pois não para de estuifar em meu peito.
Você de quem eu falo é, e não se cansa de ser, sem algum esforço, a razão para tudo e além deste. É a razão, inclusive, desta conclusão. É a razão do que também se chama de grande amor. É o começo e o fim de uma vida desesperada que encontra alívio em tuas mãos. E é porque não tenho medo ou receio de lhe entregar todo o amor que guardo em mim.
Você é, porque é, o grande amor da minha vida.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Na metade do caminho - metade do mapa

Diga adeus para os dias em que o peito estava em repouso, abra as portas pra mais um furacão. Se é isso o que você realmente sonha em ter, então...
E a sua civilização tem perdido o senso, até o endereço, mas se é com isso que você vem sonhando, então...
Mas eu te pergunto: por quanto tempo eu me arrastarei do lado errado? Do lado separado do meu real sentido? Eu não quero e, não acredito que isso seja, de alguma maneira, ruim e, no entanto, eu só ouvi sua voz através das fotografias que guardo em segredo.
E do teu lado, você não imaginaria que eu pudesse estar nos mesmos passos que você, e até mesmo te seguindo.
Mais uma coisa estranha que não mudará minha mente, mas eu preciso mesmo colocar isso pra fora do caminho?
Porque, por quanto tempo eu vou correr num caminho o qual não é o meu? Por quanto tempo eu terei somente os meus passos marcados no chão?
Num piscar de olhos e você já está do meu lado na cama, você dorme como um anjo das asas pousadas sobre minha estrutura. E eu me pergunto: por quanto tempo duraria um passeio no seu lado do caminho? E, será que um dia você aguentaria andar do meu lado?
Em mais um piscar de olhos você pode cair da cama...
Mas, eu não acredito que isso seja ruim, por mais que corte a garganta, é tudo o que eu sempre esperei. Por mais que corte o sonho pela metade, é a metade perfeita.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Falling Slowly

Isso deve ter vindo do céu. Isso só pode ser do céu. É um pedaço do céu, e até nas unhas guarda vestígios do paraíso.
Esse incomum tão desejado, o fora da rotina que eu mais quero aderir e, ainda não sei o porquê.
Do mel dos olhos não se acha sinônimo, se quer do melado dos lábios. E eu quero doce, eu amo doce.
Os poucos pássaros que sobreviveram ao ouvir tua voz, estupefatos, me disseram que da cor de suas penas não se extrai beleza como a de tua pele. Disseram que foi deles que a semente caiu e semeou, e que deve ganhar força nas raízes.
Te destrair, disseram pra eu te mostrar e contar com você as cores do arco-íres. Disseram que só importa que nós deliremos.
Avisaram, que não preciso ter medo da queda, pois o voo é destraidamente lento, mas delicioso.
E plantado este amor, deve-se ganhar forças nas raízes do chão onde jamais esperavamos pisar.
E só importa que nós deliremos.
O som da gaita falhou, hesitou em seu mais profundo tom, o qual nunca havia errado, ao ouvir a frase gargalhada que soltei no vento: Me balance, me balance como o mar que te faz bambear as pernas!
As luzes piscaram, falharam e apagaram de vergonha ao passo que você chegou abrindo os olhos, iluminando pelo menos mais nove quadras dalí.
Dias para os meus olhos sem te ver, são como par em solo.
Os meus olhos se fazem de espelho pra refletir e gravar em mim quando seus lábios escrevem no ar as palavras de que jamais quero esquecer. E te dizendo isso agora, a lua sorri em paz.
E mesmo que eu não conheça todas as espécies de flores, vou plantar todas que eu puder no seu jardim, pra infeitar tuas manhãs.
Me deixe ficar mais alguns instantes? Me deixa ver aquele seu sorriso, o meu preferido?
É o homem em ti que me faz querer continuar caindo, lentamente.
E, por favor, não importa o quão boba eu pareça, continue a brilhar, continue a contar as suas histórias de quando ainda não era em teu vento que estava minha única maneira de viver.
Por mais que a chuva esteja fazendo meus cílios pingarem, meus cabelos pesarem e eu franzir o nariz, não pare de esbanjar as drogas que saem com o som da música das cordas de sua garganta, que arranha a minha, que me seca a boca, que me faz morder os lábios e tremer sobre os dentes assustadoramente fissurados em se mostrar na sua frente.
Eu estou caindo lentamente, por onde eu nem sei denominar o que seja, mas ainda assim, é clara a vontade de continuar a cair, a soltar os braços e pousar os lábios no sorriso mais feliz.
Eu estou caindo lentamente, e ainda assim não dá tempo de pensar em tudo, em nada do que é você por completo.
Eu estou caindo lentamente, mas não deixo de lembrar que seu rosto é uma terra misteriosa e maravilhosa.
Eu estou caindo lentamente, mas não me pegue, jamais. Eu estou caindo por querer sentir a ofegância e a adrenalina da aventura do amor. E te amar, é a minha mais nova aventura preferida.

sábado, 26 de setembro de 2009

Necessidade do paradoxo

É estranho como se sentir vazio é a única coisa que pode completar uma vida e fazer dela plena.
A ausência faz das saudades o prazer maior. Não só as saudades do que temos consciência, mas também saudades daquilo que se quer conhecemos ainda.
O silêncio ecoa pelos cantos do peito que bate em sufoco. A glória toma conta do choro soluçado cheio de revolta e esperança.
O contrário faz um pacto com contrário dele mesmo. O antônimo se aninha ao simônimo e os dois caminham para formar a confusão que é se apaixonar.
É preciso, se é, sentir a pressão no peito, a falta de sono, o excesso de imaginação, os sintomas nauseantes das saudades, as dores de cabeça e não sentir nada ao mesmo tempo. Nem os pés, nem o chão, se quer os pés no chão. É preciso perder a cabeça, é preciso não lembrar que ela existe. É preciso botar os pés pelas mãos e usar os dois em revolta segundos após.
Gritar com a cara no travesseiro, planejar um milhão de destinos e cenários diferentes para cada momento o qual você também já imaginou. É preciso subir tão alto na imaginação e cair tão repentinamente que você ainda consegue sentir o gosto durante mais algum tempo. É preciso morrer de dor, de angústia, de saudades e de desejo. É preciso queimar e não ter receio a isso.
É preciso se apaixonar, mesmo que por uma coisa sem fundamento, mesmo que repentinamente, mesmo que por pouquíssimas frações de tempo, mesmo que pela coisa errada.
Preencher o vazio e assim o manter cada vez mais sozinho. É o paradoxo mais prazeiroso.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

(...) ...

E o que eu poderia fazer se não lhe dar tudo o que brilha dentro de mim?
Agora é você e tudo o que o mundo tentava esconder de você. Eu creio que esse gosto amargo seja da dor dos olhos claros dentro dos teus.
Mas eu não poderia parar este homem que você ama, ainda assim procurarei por todo lugar a saída para você.
E eu sei que é difícil a imagem que surge de dentro pra ainda mais fundo, e sei o quão difícil é de tirar se quer um olho dele, olhe tudo o que ele constrói em você.
Mas o que eu poderia fazer se os poetas tornam isso ainda mais difícil? E com o que eu lutaria contra, se sentir isso te parece tão certo?
E as estacas de gelo cortam ainda mais quando caem da segunda vez, mas eu as pegarei antes que elas ousem cair em tua textura preciosa.
Tua ferida está se aprofundando, mas eu não vou te deixar olhar para trás, então por favor tente entender somente o que eu digo nos teus próximos delírios.
Eu sei exatamente o que te dizer e sei que você sabe como isso também está me matando. Agora você está exausta, mas as minhas mãos continuam nas suas costas. E o que eu penso de agora? - Quando você levantar eu vou te tirar daquí correndo e te prometo somente a luz.
É tudo o que eu posso fazer, e se você deixar, engulo tuas dores e as estacas podem me perfurar o quanto quiser, porque o que doía antes em mim era somente o que doía em você.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Entrega essa para as saudades, por favor.

É crime? Não! Não é, e nem se quer poderia...
Gostar de ver você sorrir é só divino, só! Embora arranque qualquer divindade de seu molde e o deixe escasso.
Eu não podeira me adaptar em conviver com o fogo nas mãos, mas o frio agora é muito intenso. Desde que os calafrios começaram a ser percebidos, creio que quem eu realmente sou decidiu aprender a lição de novo.
Eu fui uma garota de sorte, embora o fogo.
Em questão, continuo com a felicidade. Eu continuo sorrindo e fingindo não haver nada de errado com o que eu sou. Mas a febre permanece crescendo, e então você já me fez esquecer, novamente, o porquê vim parar por aqui. Eu espero entender, e que você também entenda.
Bem, entenda que eu comecei - há muito - a amar o que nunca vai morrer. E não basta os olhares de terças e quintas a noite pararem. Eu precisaria parar com tudo para passar por cima disso.
Mas eu fui uma garota de sorte, embora as geleiras de uns tempos pra cá.
Em geral, agradeço pelas cordar que não arrebentei antes da hora, mas ainda questiono porquê as da minha garganta não tem mais força.
Felicidade indo e vindo não é felicidade. Somente um amor para completar.
Amor, obrigada por me fazer sábia deste, por permitir que eu tenha o degustado, que eu o tenha sentido doce e amargo. Os dois. Por mais que tenha sido mais amargo do que doce.
Quanto as esquinas que virei, você não sairá de mim, e você sabe. A rua, o portão, a cicatriz marcarão a eternidade do primeiro passo falso destes pés que ainda eram tão desamparados. Mas é só uma mudança nas coisas por aqui...
As vezes eu queria te roubar um pouco mais de tempo. É mais do que uma vontade, parece que arde engasgado tudo o que eu ainda queria viver em ti, tempo antigo, e bom.
Enquanto o sol invade o chão do apartamente fictício, eu ainda sonho em voltar pra ti, em ti, e enxergar, assim, todo o meu vermelho.
Em resumo, eu te sinto a todo instante. Como o aconchego que se suplica ao fim de um batalha.

domingo, 9 de agosto de 2009

Enquanto o sol dorme

O bordô não quer sair daqui e de minhas paredes tão pouco iluminadas. Eu te juro, se eu pudesse, daria ao passado a cara que eu deveria ter visto mais vezes se os sorrisos permanecessem.
Eu poderia te descrever minha aparencia de agora, mas tudo o que apareceria no papel seriam rabiscos de uma profunda grosseria na mão. Daria pra imaginar a ponta do lápis fazendo um ruído de tanta força.
Não adianta morrer por algo já morto. Nem se acabar por uma coisa que se quer começou.
Eu poderia te ferir se você pudesse olhar por entre a embalagem de minha alma. Eu poderia te destruir se você sentisse durante três segundos a angústia a qual venho sentindo há tempo.
Eu poderia inundar seus sonhos se você se pusesse por baixo de minha face.
O que te durou pouco foi à mim a eternidade. Eternidade essa a qual arranca de minhas lembranças qualquer momento feliz que eu passei, só deixando as folhas de seu maldito calendário de horror.
Eu poderia trincar os dentes na boca e uivar da dor cortante, mas nada a faria cessar, ela, aquela dor que no começo parecia travesseiro.
Eu poderia esquecer dos sonhos de minha alma, já que meu mais presente havia se perdido no passado contraditório e amargurante.
Enquanto você dormia, te via em teu sono. Eu via a luz de dentro dos seus olhos passar para os meus e me cegar de euforia. O teu sol, o meu sol - você - brilhou amarelo pelo que eu pudera jurar impossível.
Enquanto o sol, o meu sol dormia, o peito rasgou na esperança da luz, e eu confiei de que havia verão por vir.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

as rugas no nariz,
a lembrança do cheiro,
as únicas três palavras de que me lembro...
... bom dia, Nicodemo!
Não pode ser tão ruim. Não é tão ruim não acordar.
Se eu ainda fosse a antiga, ela lhe diria desesperadamente para dar a volta e entrar pela mesma porta, a qual ela passara vestígios de vida. Vida. É o que ela ainda achava que tinha.
Se eu, se ela, ou nós duas abríssemos a porta, o sapato ocre poderia impregnar na memória e dessa vez poderia ser do lado errado. Se o par destinto deixasse a imagem subir a gravata, talvez o nó jamais descesse pela nossa garganta.
Não engoli seco. Eu engoli o seco.
Mais três passos e suas ruguinhas do sorriso me assombrariam para sempre.
Se ele erguesse a mão direita para acenar, talvez o cheiro me sufocasse e eu já pudesse assinar o tratado da ignorância e aceitar as consequências que isso me trouxe.
E se, a última gota de misericórdia do mundo para comigo esvairisse e ele abrisse a boca para dizer as três que de tão malditas são benditas palavras, eu me paralisaria alí e não ouviria mais o som de nada, a não ser do sussurro da voz perdida na lembrança bem em minha frente.
Não pode ser tão ruim. Não é tão ruim acordar.
Não pode ser tão ruim, somente o fim, não acordar.
as rugas no nariz,
a lembrança do cheiro,
as únicas três palavras de que me lembro...
... boa noite, Nicodemo!

Por eles, e por mim

Caracterizar fatos constantemente ativos em mim tem sido um pouco mais complicado e confuso.
Arriscar uma qualificação dos mesmos talvez não seja o melhor meio de me "salvar" dos mesmos. Inclusive, eu sei que isso não me salvaria.
De qualquer maneira, por eles mesmos eu tento os mudar. Se antes eu procurava fazer, agora eu procuro pensar. E pensar também para onde estou levando minha bagagem.
Poe eles mesmos eu tento os mudar. Mudá-los de direção, ou pelo menos achar uma.
Manter o foco não se é preciso quando não se tem um foco. É desnecessário e chega a ser medíocre.
Por eles mesmos, e por mim, os cintos estão mais apertados agora. O som me guia, e eu já não tenho mais tanto medo para onde ele me levará. Eu não confio nele, mas tento traduzi-lo e isso me faz entender e guiar a mim mesma.
Por eles, e por mim. Por nada mais. Eu posso acertar o alvo na parede do meu quarto, do barzinho onde toca música e todos jogam, do muro na rua, no muro do quarto com música do mundo.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Tuas asas eram farsas

Acreditar em algo que você simplesmente não aceita é ainda mais difícil. Mas, mais do que isso, é realmente inacreditável que tuas asas tenham se cortado, ou na verdade, que elas não tenham existido jamais.
Mais difícil ainda é lembrar da angústia de te querer o bem e te cuidar, ainda que longe, porque eu confiava fielmente que tuas asas pairavam sobre mim.
Cruel! Nada mais cruel do que arrancar as asas fracas na minha frente e gritar a razão, também falsa. Nada mais cruel do que me mostrar que tu não sabias voar, e que então não poderá me ensinar.
Nem lágrimas falsas, nem pedidos emocionalmente culpados poderão amenizar ou aliviar o que por dentro queima não só de tristeza, mas de fúria, porque quando se pula de um penhasco apostando com total certeza de que nada te fará cair - uma vez que se tem um anjo - e descobres no fim, sentindo a dor das feridas que o suposto deveras não existia, tua sentença se torna irrevogável.
Cruel. Mas tua força falsa também não é a bastante para me fazer refém da angústia eternamente, nem se quer por muito tempo, pois partindo do presuposto de que quem aceita o amor e não o nega no fim tem toda sua resistência que, por mais que pareça inútil e doentia no começo, por mais que pareça o vilão e hostil, está dentro de ti, tu jamais cairás em real obscuridade. Obscuridade essa em que você preferiu se afundar, e que conhecerá ainda melhor no futuro que escolhestes.
Nada será o bastante para se quer aliviar. E tua falta de fé te faz ainda mais fraco, e causa a falta de tua fé em si mesmo. Jamais alcançarás o céu, a glória, se quer na terra de meus pés. Tua "não fé" bastarda te corrompe ainda mais, e te faz ser quem troca amor por doença e sofrimento de uma fraqueza sem fim. Te faz ser o oposto do que eu estava disposta a ter para sempre, nem que menos do que tu fingias querer.
Mas que tu, de falsas, fracas e tão ingênuas asas saibas que sei quanto sou depois de cair e o quanto tuas "asas" não mereciam carregar tamanha imensidão.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Bocejo

Hoje eu amanheci sorrindo, porque fui dormir e acordei pensando nele.
A cada olhar que você me lança um pedaço a mais do inverno vai embora e, eu realmente acho que o verão se encaixou bem por aqui.
Hoje eu amanheci sorrindo, porque lembrei dos blefes da brincadeira pelas árvores.
A cada gesto que você solta no ar os pássaros fazem uma outra canção, tão linda quanto o teu sussurro, e esta tem se tornado a minha trilha sonora preferida.
Hoje eu amanheci sorrindo, porque eu percebi que tenho formado seu nome com as letrinhas da sopa na hora do jantar.
E a cada sorriso que você abre mais uma dúzia dos meus abrem sem reparar, e eu realmente acho que meus semblantes têm gostado disso.
Hoje eu amanheci sorrindo, porque o cheiro meio flor meio canela estava profundo pelo travesseiro.
E a cada passo que você avança o meu corpo todo reage querendo te abraçar, e eu realmente tenho percebido o quanto ele ama blefar comigo pra poder em ti descansar.
Hoje eu amanheci sorrindo, porque não havia ninguém além de você neste lugar...

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Há "carneiros" no meio da estrada

"um carneirinho, dois carneirinhos, três carneirinhos..."
A rotina noturna nisso se baseia.
Não quero ser quem te obriga a pensar, mas quero respostas a partir do momento que me desafias a viver em ti, mundo.
A tua suposta "tradição" se dá no início, no meio e no fim. Mas, quem seriam, realmente, esses?
O meu início não é somente quando me deparo com um mundo diferente do qual passei nove meses dentro, ou até mesmo os nove meses que lá passei. Meu início é contínuo. Eu nasço a cada vez que abro os olhos na direção norte. Norte o qual eu decido para onde é, uma vez que decido meus caminhos.
Meu meio, bom, considero mais do que o fim dos meus estudos e começo do meu trabalho. Considero mais do que a formação da família ou do meu círculo que, futuramente, com certeza, será vicioso.
Considero meu meio as pessoas quais estarão comigo até o meu suposto fim. Elas todas são meu meio, a partir do momento que são parte de mim.
E o fim, bom, o meu fim não existirá. Eu tenho comigo umas três ou quatro teorias para te afirmar isso. Teorias as quais só saberá quem for meu meio.
Enquanto isso, conto os carneiros. Tais que considero como pausa de reflexão. Não é início, nem meio e se quer fim. Mas, um fim ele terá.
E no momento, só terei de me acostumar com o barulho do seu percurso, o qual as vezes me faz fazer, sem perceber, gestos como se eu fosse diminuir o volume numa caixa de som ou tirar um fone do ouvido para parar de ouvir. Pena que nem todos os ruídos tem essa solução...
Por hora, estabeleço então, minhas três fases, as quais não me fazem imune às minhas complicações que, claramente, são parte de tais fases.
Por enquanto...
"...quatro carneirinhos, cinco carneirinhos, seis carneirinhos..."
Carneiros: os interprete como quiser.

sábado, 20 de junho de 2009

Mais um relato da tal menina

Não foi, nem deixou de ser.
"...e mais uma vez, ela perde o senso, treme e bambeia sobre as pernas sem força alguma, insistindo em segurar a boca numa tentativa falida de não trincar os dentes. Mais uma vez, ela vê o portão, a cicatriz do dedo, a rua, a luz - ou a falta dela -, o pequeno muro, e as árvores que serviram de esconderijo dos laços. Mais uma vez, ela repete para ela própria a mesma história, passa o mesmo filme, canta a mesma música, e percebe - mais uma vez - que ainda há um laço preso, muito bem preso naquele passado tão presente...".
Como aquele velho costume, que ela tenta perder, enganar, e sempre acaba o repetindo, subiu as escadas correndo para relatar que o vira. E neste momento, a falta palavras, e bem mais do que isso, a falta fôlego, e ela não consegue se quer reparar que ainda não parou de trincar os dentes.
Sabe, eu como um eu observador sinto uma angústia por ela. E me faz trintar os dentes a vendo trincar tanto os dela, sem se quer perceber.
O frio passa despercebido por ela, e o corpo todo trêmulo se deve a falta de adrenalina que ainda não foi reposta, e nós já sabemos que demorará a ser.
E sabe, dói também saber que a tempestade demorará a sair dela, e já se percebe a chuva se formando por trás dos cílios compridos enquanto ela tenta relatar o que pra ela é indescritível. Ainda assim, não a queremos desistindo. Talvez quando ela conseguir por tudo aquilo que para ela é como a luz do sol em forma de palavras, ela se veja livre da nebulosidade e faça o sol, o verdadeiro, nascer e por lá ficar.
Ainda deve estar preso na garganta o grito que ela tanto desejou/deseja soltar e que teve de ficar sufocado para não sair sombrio e destruidor de tão agudo.
Sem forças, ela persiste e não quer ir para a cama, numa tentativa de evitar que o céu desabe. Ela insiste em dizer que a chuva já passou por lá, que ela já a secou. Mas, quem terá a bravesa e a coragem de lhe contar a crua verdade? Deixe que o céu desabe aos poucos, porque talvez, se o mesmo desabasse por inteiro, ela já não aguentaria.
Quem de nós é digno o bastante para lhe avisar de que não foi, já que também não deixou de ser?
Quem de nós é o que é o bastante para lhe julgar o amor? Mas nada podemos fazer, se a chuva não quer parar de cair...
E do que estou falando? Quem sou eu para dizer que ela não consegue relatar tamanho amor, enquanto eu mesmo não consigo lhe relatar a aparência? Tal aparência que, com certeza me assombrará hoje quando deitar tentando repouso.
Tamanho amor, que a faz dormir, acordar e viver num só sonho.
Falando em dormir, acho que ela começará com o mesmo sonho agora, pois os olhos estão se fechando.
"Em silêncio me obrigo agora, para que ela possa, ao menos neste momento, ficar em paz".

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Manter a TV desligada

Dos pequenos momentos de alucinações que tive, os que nunca esqueço são aqueles os quais planejo ser, ver, ter.
Nem sempre as coisas fazem sentido, e eu morro de medo de não poder ser, ver e ter.
Enquanto isso, eu só me pego relatando meus problemas, todos os que quero esquecer, e nada justifica o porquê passo horas e horas fazendo lacinhos com a lã do cobertor. E nisso, já me pego cantando aquele "lalalalala" da música que não sai da minha cabeça, mas também não me lembro se quer o nome.
A responsável pelas poças da varanda não é somente a chuva. Pelo menos não só a do céu, mas a minha chuva também é parte disso.
O tempo passa arrastado, muito longo, e eu me vejo capaz de fazer certas coisas que temeria que acontecesse, depois.
Ainda que como protagonista disso tudo, as vezes eu queria só passar atrás da cena e ninguém me ver. Queria poder contar com o mundo, falar pra ele o que quero e ele me responder, dando certeza: tudo vai estar lá. Pra você ser, ver, ter e sentir!
Nisso eu já resolvo o que sou naquele momento, e aí já quero fazer as malas e adiantar três ou quatro anos da minha vida. Quero ter a certeza logo, de que tudo dará certo. Quero pegar meu carro - também adiantado - e dirigir com o lalalalala tocando pra eu poder lembrar de que música ele é, vendo o vidro do carro borrado da chuva do céu, e não de mim, e correr por entre as luzes das ruas onde me vejo sempre, e do lado do carona, aquela que é responsável pelo que restou de mim ser o que sou agora.
- Tá, droga! Ligaram a TV, e eu já voltei de viagem. -
Enquanto procuro, já acho tempo de me ver segura. Já é tempo de parar de roer as unhas e de parar de puxar o ar tão rapidamente. Já é tempo de conseguir concentrar, toda a força que eu tiver, na linha dos lábios.
Enquanto procuro esperando pelos três anos chegarem, bom, já estou ciente de minha próxima nota: manter a TV desligada.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Nova caixa, daqui para frente/sempre

É bom isso durar. Parece tão certo quando eu começo a esquecer como meu coração era frio, e como a ferida estava aberta.
Dessa vez isso vai muito além dos braços que abro antes de eu cair com todos os sonhos que vivem dentro da minha alma.
É bom dessa vez durar. Porque ninguém vai ligar se a ferida abrir de novo, e nem para saber se minha vida está indo bem, ou ao menos indo, e nem para me lembrar de que a vida é doce.
E depois de cair e lembrar da razão dos pés existirem, vou colocar minha força em todos os dedos e fazer como tenho que fazer. Porque eu esqueci de como a garganta arranhava e de como era achar que a vida não "iria ir".
É bom isso durar dessa vez. Porque eu perdi o controle de todo o sonho dentro da minha alma, enquanto eu caia e flutuava, lembrando do quanto a vida é doce.
Por que, quem vai ligar se eu congelar de novo?
É melhor isso começar agora, e durar...
Eu tenho muitas cores novas guardadas na minha caixa, na minha mente, nas minhas nuvens. Eu guardo 83% delas numa máquina de músicas, num chapéu de papel, num barquinho e numa torre com um dragão.
Eu não sei qual é a hora de dormir, e nem se eu ando dormindo. Eu não ligo mais se eu vou escorregar e cair, ou se eu só vou escolher onde chegar.
Eu digo em breve, mas nós temos muito tempo. Eu levo isso rapidamente, mas eu tenho tanto tempo. E eu descobri isso desde o dia que eu respirei o que me cabia respirar, e colori o que me cabia mudar.
E eu descobri o preço que se paga por querer se sentir sempre numa roda gigante: no fim, nós sempre descemos no baixo.
Por um pouco longo tempo, não havia ninguém vindo para...
Por um bom tempo, não havia ninguém vindo para mudar o pior que eu já havia visto.
E se as coisas nunca realmente mudaram, bom, elas mudam daqui para frente.

terça-feira, 9 de junho de 2009

What a waster(?)

E a época que julgávamos que seria a pior, se torna a melhor de todas!
O que eu esperava que viria em forma de choro e lástima, está vindo em forma de danças e pulos, canções gritadas no quarto e no banho, batidas em panelas e onomatopéias, caras e bocas, laços que encontrei em outros braços...
A vida não seria melhor em lugar nenhum. Tudo o que consigo gravar na mente são as nuvens que cada vez que eu olho pro céu, parecem estar mais próximas. E o sol, meu Deus, parece que está tão feliz também!
Quando olho para os lados, eu só quero olhar pra frente. E dar a ré, ou olhar para o retrovisor é algo que não passa pela minha cabeça, e não pense que isso possa fazer eu bater, porque me guio somente com o que há fronte meus olhos.
Em essência plena, afirmo que encontrei meu eu, quente. Quente e fervurante, estourando como pipocas, e essas eu como todo o tempo, vendo os mesmos filmes bobos e me apaixonando pelos galãs com a minha melhor amiga rindo do meu lado. As duas, empoleiradas na festa de lençóis, imaginando como vai ser guiando o carro, e olhando somente para a frente.
Meus dedos mal param nessa caneta, estão dançando também.
Eu não sou a mesma de ontem. Há uma diferença na minha arcada dentária, que eu descobri que foi projetada para aparecer!
Que tempo perdido! Mas que droga de tempo perdido!
Tempo perdido? Mas que droga de tempo perdido?
Os relógios zeraram, e eu já não preciso mais correr para alcançar a posição que eu quero.
Eu acordo 6h13 da manhã, muitas vezes sem sonhos pra contar, mas com vários que já estão sendo sonhados, dessa vez, de olhos abertos.
Eu acordo 6h13, e não ligo se vou chegar a tempo, mas sei que sim em tempo, porque do meu eu tenho o controle.
Vou andando as 6h52 e os deja vu's nem insistem mais em aparecer por trás dos cílios.
Eu deixei as cartas prontas: a das saudades, a do futuro e aquela da escola. Eu não prometi escrever, mas, não custa rir depois.
Eu nunca vou esquecer, mas deixe seu ego pronto, porque parece que finalmente eu sei pra onde ir, e dessa vez você não precisa ficar quieto pra eu não me desiquilibrar e querer parar com tudo de novo.
E a época que julgávamos que seria a pior, se torna a melhor de todas!
Agora só me pego pelos cantos da casa cantando aquele trecho do Libertines:
"what a waster, what a fuckin waster..."

terça-feira, 2 de junho de 2009

Equívoco(?) À rua das 18h30 ou 19h.

Se o amor não durar... bom, então terei de esperar mais uma primavera.
Só questiono quanto tempo mais terei de esperar para os frutos virem, e não só a árvore crescer. Só me pergunto porque a primavera tem cara de inverno, e o inverno também. E porque o outono não me tras os frutos, e o verão também é inverno...
Talvez as respostas para as minhas perguntas se encontrem naquela rua das seis e meia, sete horas... Talvez seja um equívoco, mas, tudo não me mostra nada. E o nada não me serve de resposta.
Voltando à rua, eu acho bom o amor durar. O bastante não para me responder à essas perguntas, mas sim, para me fazer questionar ainda mais o porquê flutuo na rua das seis e meia, ou das sete; Por que ela brinca comigo e com minha barriga, que me dá a impressão de estar num parque de diversões? Por que eu espero voar de novo, dentro dos seus laços, na tal rua das tais horas?
Voltando ao amor, eu acho que ele vai durar. Se os algodões dos sonhos da minha mente só aparecem quando há você e aquela bentida rua, então eu acho que durará. E acho mais! Você irá notar a rua, as horas, os vôos, e meus lampejos de sorrisos a cada vez que lembrar também da brincadeira dos lábios, dos teus laços por mim passados e, claro, do principal... vai se lembrar de como meu peito comemorava os teus laços. Eles em especial, porque sei que você reparou nisso.
Repare também no portão, nas mãos, nos cabelos, na nuca, na linha dos braços, na cicatriz do dedo, na "bíblia", no teu esporte preferido.
Equívocando, ou não, eu acho que o amor durará, enquanto a rua sorrir pelas horas, esperando nossos passos no seu escuro...

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Presse

Amor não se mitiga
e mesmo que perverso, considera-se sua fúria
pelos que nele não vivem
mas ainda em quentura extrema
corroe até mesmo quem nele se entrega.

Quem não deita em leito seu
morre em pé, então
de piedade aquele é vazio
e se aventurar nadando em sangue desconsolado
é motivo de sua felicidade sombria.

Amor não se mitiga
e se quer ao amor deve-se mitigar
só saia do calabouço enquanto a corda te alcança
caia de joelhos no altar
e mantenha firme a presse desesperada
de um dia descansar o peito escasso, ferido
onde o amor vive preso.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Onde exatamente?



Não foi o copo de chocolate já frio e intocado na minha frente, nem o tremor dos dedos entrelaçados fronte à mim. E mesmo aquelas luzes sendo tão "brilhantes", também não foram elas que fizeram os olhos ficarem atentos.
O fato é que, eu estava onde eu queria estar, com quem eu queria estar, e quando eu pude perceber isso, os olhos se surpreenderam um pouco, e o sorriso foi irrevertivelmente aberto, em tremor.
O cheiro, até mesmo ele era o qual eu desejava sentir, e a cada segundo que isso se tornava mais óbvio para mim, a cada segundo que eu me via lá, a felicidade trazia ao meu corpo alguns calafrios, porque o mesmo não conseguia acreditar que finalmente estava se sentindo assim.
Parecia de propósito, parecia que eles sabiam o quanto os barulhinhos que eles faziam me agradavam! Parecia que eles ensaiaram para isso, que treinaram, que eram feitos num mini estúdio onde aquela minha banda favorita gravou o meu álbum preferido que tem a minha música preferida.
A batida aumentava, e com ela as do meu coração. As pessoas sorriam, mesmo sem querer ou planejar. Mesmo que mais da metade delas dissesse não à isso.
Não, não. Eu vou ficar. E nem pense mais nisso, é absurdo como eu quero ficar por aqui. Aqui, exatamente onde eu queria estar.
"...eu gosto de como isso parece bom, e gosto de como isso me faz esquecer. Eu gosto de como isso parece, e gosto de te fazer esquecer..."

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Dê por aberta tua galeria

É, acho tão bonito. Mesmo! As cores, as luzes, os cheiros, as vozes, até mesmo as dores.
É bonito ver a força que faz com que suportá-las seja possível.
Me pergunto como não podem ver como eu, ou como não querem querer ver como eu a tamanha beleza ao redor. Como não te aflora os sentidos, como à mim aflora, ver e desenhar em mente o céu?
Impotente e carente de si próprio é aquele que não constrói se quer a sua própria magia. Pois a tendo, faz de tudo a sua volta, mágica. Pura mágica da mente livre, e com vontade de voar.
Concordar que as vezes se torna difícil, por vai saber lá o que, não significa que você não tenha os pincéis e a tinta na mão. Se não gostou da pintura, do que vê, apague, ou faça o que você quer agora sobre o que não te agrada. Pois me agrada, muito, ter consciência de que melhorei minha "obra".
Abra as janelas, vá! E abra as portas também, ou qualquer buraco que tiver por aí. Abra tudo, e que a luz entre...

domingo, 10 de maio de 2009

Tesouro do cortante mineral

Ela olhava desatenta as fotos da caixa que há anos tem guardada num canto qualquer do guarda-roupas. Qualquer mero detalhe de importância maior passava despercebido. Ela mal sabia o porquê estava vendo aquelas fotos - talvez costume - e nem sabia o que procurava ao mexer na poeira em cores.
E do desatento ao improvável, se viu presa em um olhar, um par de olhos bronze. Se quer se lembrava da imponência dos tais, mas agora, com certeza, teria se lembrado da força que os mesmos exerciam sobre o par dos dela. Frágil par, que se quer ocilava para tentar fugir. Estava preso, e gostava.
Ainda sem perceber, se viu rodando pela sala, como em dança da época. Perambulava em pequenos saltos, imaginando que seu par a conduzia. O par, dono do par de olhos.
Brindava com alegria esplícita a euforia que a tomava. Com certeza também não percebia a ofegância em seu peito, nem os sorrisos que não escapavam dela se quer por um instante. Dançava olhando para o mesmo foco, foco de imaginação do par de olhos.
Num desastre também não esperado, como todos os outros acontecimentos daquele fim de tarde, se perdeu num desabar ao chão, como se houvesse sido empurrada pelo seu par. Os lábios antes abertos em contração de felicidade, desabaram como dois troncos duros de árvores. Os olhos que se ligavam no par bronze, desabaram ao olhar a ponta de seus pés, que agora estavam recuados.
Tremendo em desconcerto, se arrastou pelo chão a fora, voltando ao quarto, guardando as relíquias desordenadas pela cama, e se escondendo no ninho de lençóis.
Observando, talvez, fosse costume esquecido para ela, assim como era ver as lembranças cortantes ao encontrar o bronze.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Fusão

...que minha chuva é a água que te cobre os olhos,
E não romper as fronteiras entre nossos dedos é como fevereiro sem carnaval.
Não te procurar pela estrada que se segue, é como não ver o colorido, o infinito, do seu, tão meu, mundo.
Que não te ver em fronte os olhos meus, é como enxergar só o xapiscado da tv...
Vai, funciona! Quero assistir teu humor triunfante que me prende num roteiro dos mais distintos para este peito. Peito teu.

E franzido, enrigecido pela saudade da euforia, pergunta-se se era só o amor, ou se o amor era todo. Um todo.
Mas ele só conseguiu notar, olhando para a janela, que mais tarde iria cair mais uma de minhas chuvas.

O sol raiando em nada se compara com o abrir de seu sorriso.
Nem o seu pôr, se quer ele, se iguala ao piscar descuidado do seu olhar.

Seque a minha chuva, pequeno. E abra essas janelas, pra eu ver teu sol raiar.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Designo-te vida

Só para o de costume: eu te amo!
E não fugindo do costume, minha cabeça vive em teu sorriso.

Designa-se sorriso, o ato de retrair o rosto e abrir os lábios em consequência de euforia.
Designo então, por meu sorriso, você. Que em glória e garra torna possível tal retração. Que me faz capaz de te abrir em maior alegria, somente por ser você.

Designa-se por irmão, aquele que é fruto da mesma árvore, e que cresce, desde semente até alcançar o céu, ao nosso lado.
Designo então, por minha irmã, você. Mesmo não sendo fruto da mesma árvore, pois, me fez retornar a semente para crescer ao teu lado e, aí sim, alcançar o céu.

Designa-se ar, o essencial à vida humana. Que enche os pulmões da substância essencial, e assim, torna possível a vida.
Designo então, por meu ar, você. Que é essencial à mim, mísera humana. Que enche o meu peito com o que há de mais essencial para mim, e justamente por estar em meu peito, torna possível minha vida.

Designa-se por garra, o ato da perseverança e da força. Da não desistência dentro de nós, que energiza o corpo e mente com o intúito da vitória.
Designo então, por minha garra, você. Que foi e é além do suficiente para me dar a força necessária para voltar atrás. Me fez não desistir ou entregar os pontos. Manteve e me deu energia suficiente para o corpo e a mente gritarem vitória ao seu lado.

Designa-se por sangue, o que corre, vermelho, em nossas veias. O que "alimenta" o coração, o que nos dá cor ao semblante.
Designo então, por meu sangue, você. Que me enche com o vermelho mais profundo, que é alimento constante e essencial ao meu coração, e que enche, enche estupefatamente de cor meus semblantes, e minha vida.

Designa-se coração, o órgão principal que designa a vida. O que pulsa frenético em tais situações, e pulsa angustiado em outras.
Designo então, por meu coração, você. Que é a principal, a que designa minha vida. Que pulsa frenética em minha alegria, e arde na batida tranquila de minha tristeza.

Designa-se amor, o que não tem explicação. Simplismente não saber o que acontece, e ao mesmo tempo, saber que tudo acontece em nossa alma. É entregar, sem repulsa alguma, a sua vida à outro ser.
Designo então, por meu amor, você. Que mesmo sem explicação exata, faz acontecer um aglomerado de sentimentos em minha alma, e que se preciso me faz entregar, sem repulsa alguma, a minha vida à ti. Pois designo por minha vida, os sorrisos que minha irmã me faz dar, que enchem meu peito de ar e de coragem, que na garra me faz lutar pelo meu sangue e elevar aos céus o meu coração para te amar. Te amar com a maior glória que eu consiga alcançar.

E além de qualquer costume, eu te amo!

domingo, 19 de abril de 2009

Cegueira

Comecei a angustiante contagem. No três estaria voltando à minha escuridão. Isso, claramente, sem garantia alguma. Mas as cores, os flashes, haviam deixado minha visão ainda mais limitada do que na escuridão. O vício faz isso.
E então, um... dois... três!
Gritos. Uivos. Dor.
A escuridão havia me abandonado, realmente. A escuridão era mesmo leal, e eu, completamente o oposto.
Como boa hiperboleana que sempre fui e sou, dei conta de aumentar o choro umas mil vezes, e de acarretar a culpa de modo ainda mais doído e torturante aos meus olhos, ao meu ver.
Eu havia dado conta, não por ser hiperboleana, mas por ser eu, de me fazer cega.
Eu devia apenas colorir o que se propunha a ser colorido. E me acostumar com o fato de que os outros também colorem, colorem mal, o que são de seu dever colorir.
Nem tudo no mundo que nunca mais verei é feito de flashes de cores claramente denominadas. Mas sim, também, de escuras.
Escuras...escuridão. E então me dei conta de que a escuridão estava lá, e de que ela era ainda mais leal do que eu podia imaginar. A minha tal companheira havia me seguido até onde ela podia ser vista por mim, e no entanto, eu não a vi. Ela era, então, o que cabia a mim colorir.
Me dei conta, em choro, de que esse era o meu dever, e de que agora, eu a abandonara para sempre, pelo medo, de em luz, a achar novamente.
E agora, em cegueira, percebo que jamais a verei. Jamais verei minha leal companheira, e jamais a colorirei de meu modo - pois era minha companheira - e então, jamais terei feito o meu papel.
Em cegueira, escuridão, me ouça. Ou ainda melhor, ouça o sal que escorre de meus olhos cegos, pois tu, mesmo que escura demais, aida enxerga. Ouça o sal, e me perdoe. E se te serve de consolo, a dor dele em minha cegueira não é maior do que a dor de, na cegueira, não poder mais te ver. Escuridão, você, que era meu papel colorir.

Talvez não mais, mas, com certeza, agora sem conseguir ver o meu próprio olho, a cegueira era o castigo merecedor aos olhos impotentes que não me fizeram ver que deveria te colorir, minha vida. E, por favor, não me perguntes se ficarei bem cega.

Olhos arregalados

Eu sabia! Eu devia ter visto todos os lados, ter estudado os passos e atitudes antes. Eu sei, eu sei que sabia! Sabia que seria assim. Mas como impulsiva que sou...
- O encanto era realmente grandioso. Grandioso demais para uma compulsiva e viciada em cores.
Era mais do que grandioso. Eu diria que era viciante. Exato, um vício. E agora olhe onde se meteu, Mariana - .
Chega! Eu disse, de olhos arregalados. Arregalados porque, como eu deveria ter imaginado, o controle havia escapado por entre meus dedos, ou ainda melhor, por entre meus cílios, caindo como lágrimas, e me deixando em desfalque do mesmo. Nada fora do de costume. Mas era costume somente do corpo, da alma...E agora, também dos olhos.
Diz, além de me auto culpar e de me auto corromper, o que faço para os fechar! Diz, consciência, diz!
Sinto falta da escuridão. Vi demais! As cores as vezes são escuras,e então não são mais flashes - claridade - , são somente escuras, e erradas. Eu não as desejei colorir assim!
E se eu piscar de um olho só novamente? Mas, e se a escuridão não me quiser?! Não posso arriscar ficar cega de um olho para sempre. Antes a escuridão do que a falta de tudo. Antes ela do que a cegueira.
Não vai me dizer, não é? Somente serviu para me abrir os olhos, e agora, veja, estão abertos demais! Bela consciência essa minha, que me abre os olhos, mas não me ensina a fechá-los.
Talvez eu deva me acostumar... NÃO! Não vou me acostumar à nada de novo! Quero a escuridão. Já sei como é aqui, e isso se torna, com o passar do tempo, viciantemente doentil e hostil. Vocês, cores, são pintadas por mãos desconsoladas, e isso não faz do mundo fora da escuridão tão bonito assim.
Quero a escuridão de novo. A minha leal companheira.
Não sei se a mesma ainda me aceitaria como companheira - dessa vez leal - novamente.
Tentarei...

Talvez, vendo o meu próprio olho, os olhos arregalados explodam ao se fecharem com a brutalidade que pretento os fechar para voltar à minha escuridão. Eu ficarei bem, de olhos fechados.

Olhos abertos

Meia realidade não é o suficiente para quem deseja colorir as paisagens novas que apontam.
Com medo e receio, fui me desadaptando à escuridão. Somente a idéia de não ver mais os flashes me fazia tremer, mas, de não mais ver a escuridão, seria absurdamente suportável e desimportante. - conforme fui vendo as cores, pude me lembrar dos nomes das coisas, e acabei inventando alguns como este - .
Estava com receio de abandonar minha tão leal e companheira de tanto tempo. A escuridão.
Mas, de qualquer maneira, ela não me fornecia nada novo, então pensei que não se importaria, já que não estabelecia diálogo comigo, se quer através de imagens, inclusive, com certeza sem imagens.
Tremendo as pálpebras, fui abrindo a do lado esquerdo, a que ainda se encontrava fechada.
Eu estava de olhos abertos, e podia ver todos os flashes - a claridade - as cores à minha volta, e até mesmo denominá-las, e senti-las.
Fascinante! Eu disse a mim mesma, orgulhosa pela atitude que tomara. Ficar de olhos abertos era, com certeza, uma boa idéia para o momento. E eu acreditava que seria uma boa idéia para além daquele momento.
Eu observei tanto, tanto. O encanto era infamemente absurdo! Desejei nunca mais ver a escuridão, abominando a idéia de sua existência em mim de novo. E dessa vez, sem dó alguma de minha antiga companheira.

Talvez, vendo o meu próprio olho, ficar de olhos abertos era o melhor a se fazer. Eu ficaria bem, de olhos abertos.

Piscar com um olho só

Assim, do jeito que eu estava antes - sobre efeito das duas únicas piscadas - decidi que realmente não era prejudicial à minha tão fiel escuridão.
Mas, sentia saudades dos flashes, já que eu os vira apenas duas vezes. Eram tão, incontestáveis, tentadores, que fizeram passar pela minha mente, e não só por ela, mas pelos olhos também, a idéia de colorir tudo, deixar tudo com cor de flashes, daqueles que eu havia visto.
Já que não eram prejudiciais, vi que seria ignorância - de novo - deixá-los em desigualdade em comparação à minha escuridão. Porque, afinal, sentia falta deles.
Decidi, por fim, piscar com um olho só. Assim, eu seria, meio escuridão e meio flashes.
Flashes esses, que depois me lembrei também, que podia os chamar de claridade. Claridade esta, que agora estava em igualdade com a minha escuridão.
E então, não sentia mais falta de nenhum deles, afinal, tinha os dois lados que queria.

Talvez, vendo o meu próprio olho, piscar com um olho só realmente fosse a solução. Eu ficaria bem, piscando com um olho só.

Piscando

Meus planos de borracha não estavam indo tão bem. A escuridão começou a servir somente para um aumento de meu medo já tão aguçado, que antes, me fazia os pressionar de forma brusca. Como repentina decisão, não curiosa, nem indagosa, mas apenas necessária, ignorei o primeiro plano - falho - os abri de modo rápido, e os fechei, de maneira mais rápida ainda. Logo, lembrei de que o nome era piscar, de que eu piscara. Pude ver, remotamente, em forma de flashes, algumas cores que me cercavam.- Não! Talvez fosse impressão, eu dizia, repetitivamente a mim mesma. Estava tudo escuro lá fora, do mesmo modo como está agora, de olhos fechados novamente. - Disse isso à mim mesma, umas mil vezes, mas, como hiperboleana que sou, dei logo conta de aumentar os 3 flashes que vira para três mil, como argumento para uma repulsa ao que dentro de mim ordenava. Talvez, realmente, os flashes fossem muitos mais do que minha visão já desacostumada a ver pôde observar. E então, dei conta de os piscar, novamente, pela última vez.

Porque, talvez, vendo o meu próprio olho, piscar não faria tão mal à minha escuridão particular. Eu ficaria melhor, piscando.

sábado, 18 de abril de 2009

Olhos fechados

Mais do que fechados, colados, na minha ignorância.
Talvez, não os abrir possa me impedir de ver tanta incoloridade. Ou, apenas me privar de ver coisas que eu poderia colorir.
Na verdade, o cansaço torna os olhos propícios ao fechamento definitivo. O medo então, os fecha como janelas de pino enferrujado.
Ainda que fechados, sabem que estão úmidos. E isso os desaba ainda mais.
As linhas vermelhas estão lá, mesmo que eu não abra os olhos de frente ao espelho para as enxergar, eu sei que estão lá, porque a revolta e a angústia me mostram isso.
Eu não quero ter de ver tudo isso à minha volta, e não, muitas vezes não é ignorância. Muitas vezes, é até sabedoria de minha parte.
Não estou perdendo muita coisa, como eu sei que veria preto e branco, fico com o preto da escuridão formada por estar de olhos fechados.
A não visão me limita de poder te colorir, me colorir, mas me impede de ver o que não colorem.

Talvez, vendo o meu próprio olho, fechados eles estão melhor. Eu ficarei melhor, de olhos fechados.

Queimando gelo

Eu suponho que a febre esteja derretendo meus neurônios. Lentamente, e juntamente com a febre, meu pulso pesa para baixo e o pescoço arqueia, escasso, pedindo repouso. Repouso não só do corpo, mas dos olhos, da alma, e dos instrumentos que nós humanos usamos para perceber as coisas ao nosso redor. Repouso este, clamado, implorado, para ser completo, sem percepção de se quer um movimento a minha volta.
O pulso, o pescoço, eu os toquei e estava queimando. Os calafrios já disseram adeus à minha coluna vertebral.
Eu suponho que a febre não seja mais uma suposição, nem uma doença na minha vida. É apenas constante. É a febre da alma, não do corpo.
E, quem diria, de alma fria e confiante à cinzas.
"Só porque você sente, não significa que existe". Não sei te denominar todos os sentimentos, ou amarguramentos, que passam pelo meu corpo a cada instante - inclusive nesse - . Se quer sei se posso denominá-los como sentimentos, pois tais as vezes são imperceptíveis, e quando vejo suas consequências, para mim, são puros acidentes.
Acidentes. A vida se resume, muitas vezes, em vários desses, que só esperam para acontecer.
Nas massas glaciais de mim, surgiu como se fossem várias dinamites, que aqui agora causam uma explosão. Explosão no gelo.
O sangue que antes corria frio, por correr, corre calorosamente sem piedade ou preocupação de estar queimando demais sua moradia. - talvez porque ele não tenha consciência, como antes, sua moradia não tinha - .
Talvez eu tenha uma definição para o suor da palma das minhas mãos. Não deve ser nada além do gelo derretendo. Gelo, que tem me deixado com saudade dos calafrios, que as vezes, eram melhores do que as condições febris.
Definitivamente, queimando gelo. Decidiram por fim, aquecer sem pudor meu corpo, trazendo avalanches inconsequêntes, que claramente, não são de meu controle.
O gelo que era elemento crucial do meu corpo. Falava frio, sentia frio, passava frio. E agora queimo o que era apenas para aquecer. - Controle. Bendito este que jamais conheci - .
E agora, então, enquanto procuro por este tal, o suor - gelo derretendo - vai surgindo nas palmas de minhas mãos, escorrendo de minha testa, desestabilizando a temperatura. Ainda necessito do gelo, mas a fogueira é crucial. Se quer me restaram termômetros para uma idéia parcial.
Eu vou suar até queimar. Suando e ganhando temperatura. Temperatura demais. Eu vou suar até queimar o gelo, meu gelo.

O meu corpo - o meu gelo - . Estou queimando o meu corpo. Queimando gelo.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Mais um café com gelo, por favor.

Não que eu queira fugir das responsabilidades que me apontam, mas eu só queria deitar de noite e não sentir o peso do corpo fazer parecer que a cama vai desabar.
Não que eu queira escapar das dificuldades que me cobrem, mas eu só queria deitar de noite e não ter de me cobrir com o medo e insegurança dignos de fraqueza de novo.
Coisas pequenas vem se tornando tão grandiosas que tenho medo da minha mente engordar de tantos pontos cruciais latejando.
Queria achar todos, juntar todos, e os resolver como uma conta de primeira série. Fácil, como 1+1 é igual à 2.
Mas, assim como a matemática de uma criança, a evolução se põe constante em nossas vidas. Não só a boa evolução, a animadora, mas a pesada, a confusa. E nisso, o 1+1=2 se torna um 1+1=3 ou 4 ou 5 ou 1000!
A cabeça pulsa, o sangue esquenta, o corpo desaba. As decepções doem como faca incessante na carne.
Prestar atenção. Presto mais do que posso, formulo cada passo, treino cada atitude, planejo vários futuros. O erro, um erro, compromete tudo isso. O erro trás um medo, sem tamanho de tão grande, e eu não posso cair de novo, porque não é como uma criança num berço, é como um humano - criança ou adulto - na ponta de um penhasco.
Quem é o meu medo? O que eu preciso para detê-lo, ou ao menos enganá-lo? Onde está meu real pensamento positivo? O que preciso fazer para mantê-lo forte em mim? Eu tenho que, ou eu posso?
Não que eu queira fugir do mundo onde estou, e criar um onde eu sou a criança sem problemas para sempre. Eu só quero poder fazer do meu quarto o meu parque de diversões, e fazer dos problemas os brinquedos, em que o medo é prazeroso e passageiro, e a diversão nunca saia de cada parte do meu corpo.
E se a falha vier à tona em um dos brinquedos do meu parque? Eu, sinceramente, prefiro a morte na diversão com meu medo, do que na dor do medo sem piedade.
O problema, é que os segundos de diversão que se passa em cada brinquedo, tem sido transformados em anos. Cada segundo, um ano que me cobre. Hoje, só no dia de hoje, me considero com 24585516 anos. Sem contas de matemática corretas, por favor, porque digamos que elas sejam mais "segundos anuais" a serem contados no meu dia.
O prazer da vida está na profundidade de cada coisa, que é mil vezes maior do que a que imaginamos.
Um papel não é só um papel, assim como as cores vão muito além do que aparentam ser. Confuso, mas me faz, de alguma maneira, reduzir a velocidade dos meus segundos, que nisso já não são mais anos, e sim dias. - Calmamente tento reduzir, na espera da não falta de controle - .
Mas, isso aos seus olhos, pode ser nada mais do que um papo de fim de tarde, em que em seu decorrer, se pede por mais um café pequeno na padaria. Café, amargo aos olhos de uma criança, e rotina nos de um adulto. E então? A criança que diz a verdade, ou o adulto que finge que tudo é bom?
Café. Amargo, bom. Fico com o amargo adulto - como as minhas tardes - ou opto por chupar um gelo que cai do céu no que era pra ser chuva? - infantil e gelado, percorrendo minha alma - ?
"Me vê mais um café. Um café com gelo, por favor."

terça-feira, 14 de abril de 2009

Molesto

Amor, tu que de frio e pérvido esquenta a alma
que derrete o gelo sem alguma piedade
e queima sem repulsa os corações humanos
se te contentas em saber que a que te agrada
em mim já fez morada
sim, a tal morte que te agrada
podes então banhar-se em tua felicidade
pois também já se banha em meu vermelho
em todo ele, e dele já está completo.
E a carne crua de onde tu fazias tua moradia
grita em meu peito com lacuna
com voz aguda e desesperada
o que tua impiedade já impôs
e se ainda te contentas em forte agrado
tua entrada por mim não pode ser barrada
se quer desejo te impedir
mas que tu, com teu áspero toque
saibas passar por mim sem rigidez
pois se como teu ego for teus golpes
a que te agrada me matará todo o resto.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Mentira

É o dia, e palavras não faltam.
Cada suspiro apertado, cada fechar de punhos desesperado, cada mordida na própria boca para estancar a dor valeu a pena.
Amar, de qualquer maneira vale a pena, e, mesmo cada pedaço sendo esculpido por uma trama mentirosa, em mim era num molde de verdade.
Não abomino a possibilidade de verdade, em pequena porcentagem, e de algum modo não compreensivo aos meus olhos e principalmente a minha alma, mas, infelizmente o oposto predomina.
Primeiro, dia primeiro, o dia. Faz pesar ainda mais o que de algum modo havia sido construído na crença da verdade. Não culpo o dia nem a hora, mas o fato faz por querer próprio a mente esquecer de mandar adrenalina para o meu sangue, me fazendo tremer em calafrios piores do que os da vida na dúvida.
Apesar de ter valido a pena, é com um cenário trágico que enxergo o estado do meu físico, mas ainda mais do meu emocional. A mentira corrói e toma um espaço particular, que me deixou vazia em desfalque. A dor da perda na esperança da verdade soa mais agradável do que na certeza da mentira.
Mentira, tão tomadora que tem seu próprio dia. E eu, que nela, perdi 455 dos meus.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Debate ao incontrariável

"...Estou te dizendo tudo o que já é de sua sabedoria, não só de sua, mas de todos.
Todos sabem, mas não vêem realmente a importância e força de cada uma dessas palavras na nossa realidade.
De qualquer maneira, é cedo, sempre é cedo; Lembre-se que o amor é imprevisível.
Só ama quem permite ser amado, e você permite, não? Sem pressa. No quesito amor, a pressa de nada vale.
É complicado isso de optar amar apenas uma pessoa a vida toda. Eu sabia que seria assim, não me arrependo, até segunda ordem, vinda de mim mesma (difícil).
...
"E seus amores, como andam pequeno café?"

Dentre o amor próprio e os que me compõe, todos estão tranquilos, apenas um, o mesmo, do círculo vicioso, está contrariado.

...

Sim, as pessoas tem uma visão limitada do amor, né?

É tão grande e lindo, não poderia ser fácil.

É simples de se sentir, de se deixar levar. Quanto a isso, nada é mais facil, mas para as pessoas, só se vale a pena amar quando se é correspondido, e, no entanto, você não precisa de um retorno para sentir o amor..."

Sorriso na segunda-feira

Esperando na esperança dele abrir.
Não que ele não passe em mente, nem que o tato da face não deseje se retrair por ele, se quer pelos dentes que não quererem trincar assim que ele se abrir, mas, é apenas o tempo arrastado que não é o bastante pra ele pensar em aparecer por aqui, abaixo dos olhos cansados que tentam permanecer abertos, rigorosamente abertos.
Não é que não se tenha vontade, nem que esteja se esperando a hora certa, se quer um motivo concreto, mas, é apenas a dor despencante que invade meu pescoço e sobe pra cabeça.
Conto nos dedos os antecedentes desse que tento projetar agora, e, se quer os lembro bem. Entre os sete dias de uma semana, na segunda é especialmente difícil. Não que eu queira um motivo para que desista de tentar projetá-lo, nem porque eu esteja camurflando os vãos que vivem na entrada dos lábios de tanto mordê-los pela impaciência ou até mesmo pela dor, se quer porque os olhos se fecham quando ele se abre e eu os preciso abertos, mas, é apenas um sorriso, um sorriso na segunda-feira.

domingo, 29 de março de 2009

Amor, amar, amo

O que enfraqueze o corpo alimenta a alma. O que estanca o sangue dá vida ao coração.
O ato de não saber controlar a pulsação e nem a entrada de adrenalina nas veias é o que há de mais divino.
A existência do amor nos torna a espécie insana mais feliz do mundo, por doer, e em dor, saber que conhece a mais forte de todas as forças.
O fato de amar nos torna dependentes não só do amor - a mais forte de todas as forças - mas também de uma outra alma, a qual rege e trilha nossos destinos e faz com que nossas pernas sigam os mesmos sem o resto do corpo ter opção de recusa. É a dependência mais prazerosa da Terra.
O que eu amo me torna insana e dependente, me cega e me insurdece com o que eu sonho em ver e com os barulhos, ruídos e gritos mais alegremente suportáveis.
A dança só é alegremente seguida quando os corpos estão estupefatos de amor, maravilhados por amar, e quando gritam "eu te amo"; A dança só é alegremente dançada com a ajuda da melodia mantida dentro dos ouvidos a partir do seguindo dos próprios batimentos. - toda dança é corretamente dançada quando se obedece o corpo, e o corpo está sendo regido, e não deseja parar de estar, porque sente o amor, porque está a amar, e à declarar "eu te amo"- .
O que causa a falta de ar dentro dos pulmões é o que ainda nos faz querer respirar. O que nos faz tremer na perda de sustento é o que nos dá vontade de permanecer firmes. É o avesso mais perfeitamente compreensivo, a loucura mais sã, a dor mais desejada, o sorriso mais tomador da face.
O amor é tão grande que nos leva a amar e que me faz afirmar que te amo. Mesmo que o amor nos traga uma vida em dor, ainda assim é viver; Mesmo que amar nos faça viver limitadamente, ainda assim é viver; Eu te amo e isso me faz quase morrer, mas ainda assim é viver.
"Mais vive aquele que quase morre em vida, do que o que vive numa quase morte".

quinta-feira, 26 de março de 2009

Lalala

Eu disse calma. Eu disse colorido.
Ofegância e escuridão vieram primeiro.
Eu disse que iria gritar até as cordas arrebentarem, até que suas cabeças se enjuriacem.
Quem vem pra acalmar e colorir? Quem é inteiramente felicidade?
Eu disse dance até o pé cortar e a perna desabar.
O corpo inteiro já se cortou e desabou antes da dança.
E tudo o que eu disse foi virando trilha sonora do passeio no carro.

Eu disse amor primeiro, abrace-o para o proteger.
Cada um se abraçou, e o amor disparou sozinho pela janela.
Eu disse corram para salvá-lo.
Todos se abraçaram chorando, as mulheres primeiro, os homens de olhos fechados.
Eu disse que só se importam quando há perda, e todos levantaram as cabeças, em ataque.
Eu disse que iria permanecer gritando, até que isso se tornasse trilha sonora do passeio no bosque.

Eu disse que as crianças iriam achar doce, iriam chamá-lo para brincar.
Os vizinhos continuaram sentados em degraus.
Eu disse que o medo vai ser predominância nas suas cabeças, que isso não é realmente felicidade.
Eles disseram pra sair da rua, e eu disse que o medo deles não pode ser só o visível.
Eu disse ninguém aqui se conhece.
Eles continuaram com os fones, e tudo o que disse foi virando um ritmado quase igual à um inútil, normal e mesmítico lalala.

Eu disse que não pararia de dançar até que isso os contagie.
Eles disseram que estavam cansados do trabalho.
Eu disse que isso os corta e os desaba.
Eles disseram que a dança é ainda mais cansativa.
Quem é o real cansado? E o que é cansaço?
Eu disse dancem primeiro, até o corpo todo se cortar e desabar.
Eles disseram que não precisam da dor pra saber quando parar.
Eu disse que a dor deles não pode ser só a perceptível ao corpo.
Eu perguntei quem é o medroso?
Eles viraram e já estavam em sono.
E tudo o que eu disse está gravado numa fita qualquer, sempre acompanhada pela mesma ritmização.

Eu disse que procure a fita.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Para não ser a tal mulher do padre...

Você mastiga suas palavras na minha frente, e o desagradável paladar é claramente percebido. O desespero de digerir cada uma das idéias e as engolir à seco, rasgando a garganta e mesmo assim as mantendo como alimento pra suas idéias fracas sobre vivência.
Você cospe suas palavras já escassas na minha frente, e a repulgnância é algo que não posso conter. Você se elimina, aos poucos, do abismo escuro que é o seu eu.
Você fuma suas verdades na minha frente, e eu tenho que as observar sabendo que são mentira. A fumaça corroe, queima as minhas verdades, que eu faço questão de me cuidar pra não poluirem o teu ar.
Não me queixo do teu ar, que incrivelmente, é diferente do meu.
Me queixo do como quer deixar claramente esplícito suas vontades, que para mim soam mais como ambições.
Eles dizem, sempre dizem o quanto é perigoso, e você segue por ter medo de não os agradar, ou os decepcionar, mesmo sem saber quem realmente eles são.
Dizem também, que a amargura está presente em tudo, sem saber nem o que é metade desse tudo, sem saber o que é tudo. E para você, como tudo o que é estabelecido faz-se sua lei - sem saber também o que significa - você se amargura e amargura à esse tudo, quando era para ser doce.
Ainda dizem, que para chegar "lá" deve-se fazer como os seus pais fizeram, ou até mesmo como aquela moça inteligente e famosa fez. E então você mergulha de corpo todo nisso, e no fim percebe que a piscina estava vazia.
E, ainda por cima, te afirmam que tempos bons virão, é só esperar. E então, você espera sem fazer nada para a chegada de tais dias melhores, cujos, obviamente, jamais chegarão.
E nisso a sua vida passa. Vida? Isso você também não sabe o que é, e também não vive. Mas os créditos vitalícios que se danem, não é? Não é o que eles falam? Então siga.
Mas, se queres me ouvir, posso fingir ser um deles, e então te digo para buscar pela sua essência, a real essência, com o perigo amargurante que você estabeleceu para tentar chegar naquele "lá" em que os dias bons estarão presentes. Mas, como eles dizem, corra, corra muito, pois quem chega por último, é a mulher do tal do padre.

terça-feira, 17 de março de 2009

20:20

Antes de fechar os olhos numa ação de desistência, serrei-os num foco cujo não sei determinar qual era. Qualquer coisa que me lembrasse a cor, o cheiro, ou até um movimento, o qual pegou meu corpo em desconcerto.
Quando olhei no relógio, o horário marcava igual entre as horas e os minutos: 20:20. Podia não ser nada, na verdade, não era nada, mas pra quem procurava vestígios ou pistas, era considerável.
Ainda mantendo os olhos fechados, imóvel e empuleirada por entre as colchas e lençóis, consegui lembrar-me de algo que é vago, mas se sobressaiu em minha mente como um desespero, um grito sufocado, que com certeza teria saído dessa forma se não fosse o meu cansaço. Lembrei-me perfeitamente, por fim, de todas as ruguinhas que se formaram desde os cantos de seus lábios até os cantos dos olhos, naquele sorriso repuxado e perfeito, que se abria devagar sem pressa ou culpa alguma de me impressionar, porque de alguma maneira ele tinha consciência de que fazia isso. Um sorriso que não via há meses.
Toda essa impulsiva, incontrolável, doentia, mas maravilhosa lembrança me pegou de guarda baixa. Há tempo que não conseguia lembrar-me perfeitamente de algo que fizesse eu me sentir tão próxima de novo. Mas eu procurei por isso, e encontrei.
Deu tempo o suficiente para uma apreciação que seria notável se a porta e as janelas não se encontrassem fechadas. O suficiente, mas nem sempre isso é o bastante. Durou apenas uns quatro segundos e meio, no máximo. O suficiente para me fazer refém a isso.
Quando vi que meus quatro segundos e meio de felicidade incontestável acabaram, continuei com os olhos fechados, e os forcei, numa tentativa sem sucesso de me manter em delírio não pelo tempo suficiente, mas pela eternidade. Como disse, tentativa sem sucesso. E em poucos segundos me vi numa reação terrível, era como se eu estivesse caindo do céu, do paraíso, para o meu inferno particular, que era qualquer lugar em que eu não encontrasse vestígios.
Recuei um pouco do cenário do delírio, como se fosse afastar a dor, que em questão do tempo de um piscar tomou conta de cada parte minha, e eu já não tinha controle de nada, de novo.
Eu queria, precisava apreciar mais daqueles segundos que em minha mente vinham como a lembrança da lembrança, tão maravilhosa, que parecia embrulhada em veludo.
Eu parecia tão invisível pra mim mesma, que não sei como me notavam viva ainda. - Devia ser pela minha aparência semelhante a de um zumbi recém-criado. - Arfei par dar início à um choro de desespero que durou um bom tempo, mais do que devia, tempo suficiente para me desesperar ainda mais. - o tempo estava limitado, mas sempre o suficiente para uma colaboração considerável para com minha insanidade - .
Minhas reações andam sendo misteriosas e estranhas para mim mesma. Eu não me noto, não me conheço, não me importo...
Além de meus sentimentos, além dele, da minha alma e de meu corpo, eu estava sendo hostil comigo, e não me importava.
Me senti presa à uma doença particular, na qual a cura era de minha consciência, mas não de meu poder. Me senti presa à isso, doentiamente, de novo...

20:20. E era tão doentil e sem explicação, que um relógio se tornara motivo, ou realmente era.

domingo, 15 de março de 2009

Crime

Mas prendam, prendam este homem! Ele me faz doer, me faz sentir doente, me faz grunhir! Prendam este homem! Ele ousa e insiste em me prender em algo dele, que não posso ver. Ele ousa e insiste em me levar a lugares que não conheço, e fazer eu me perder, sabendo que o único jeito de voltar é me prendendo em algo dele, que não posso ver, de novo.

Ele mata cerca de mil partes minhas diariamente, e rouba mais mil delas.

Prendam este homem! Ele me conta mentiras e me serve de droga. Ele me convense a cada segundo de que a morte é menos dolorida do que a perda. Ele quer meu suicídio. E será tudo culpa dele.

Ele fala demais, ele some demais, e seus crimes são baseados em tirar sanidade, conforto e sono.

Me encontro presa, refém de seus olhos, é tudo o que vejo, mas me escutem e venham, me escutem enquanto eu ainda tenho sanidade para compreender algo.

Mas prendam-o, logo, por favor. Parasita de minha força não mais encontrada. Prendam-o, antes que eu fique presa em seus olhos, por toda a eternidade.

Km

E como se não bastasse, mais alguns quilômetros vão ousar nos deixar ainda mais longe um do outro.
Anjo, se pudesse, te prenderia em mim, e te levaria comigo à qualquer lugar. Faria de meu peito moradia não só de seu amor, mas de sua alma também, e nunca mais precisariamos nos preocupar se a solidão, a saudade ou qualquer outro sentimento que nos desafie a sofrer chegasse.
Mais alguns quilômetros. E minha cabeça gira, meu peito dói só de imaginar que eu vou sentir como se pudesse ver, você ficando mais longe.
Tu ficarás, somente em corpo mais distante, mas em alma e coração, meu anjo, sempre o mais próximo possível - dentro de mim - por toda a eternidade.
E esses quilômetros, eles só vão cansar de ouvir minhas palavras passando por eles à todo segundo, pra te lembrar, pra ti ouvir, o recado que elas te mandam: eu te amo.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Pró luzes ou vozes?

Sentindo fortemente a falta de poder me deixar ser invadida por isso. De poder sentir as borboletas fazendo festa no meu estômago, de enrigecer meu peito e punho ao pensar numa possível "não morte" daquela minha metade. - Num instante pouco duradouro algo à tona retrucou dentro de mim: "Mariana, bata com as costas da mão na boca, agora!" Tentei ver nexo nesses sons, que estavam mais para ruídos dentro de mim naquele momento. Tentei entender, até obedecer...Desisti - .
Seria ou não viável morrer um pouco mais? E se morrer ainda fosse bom, energizante, gratificante...?- E de novo a vóz dizia "Bata nessa boca, bata!"
Algumas luzes invadiram minha janela de graça hoje. Me assustei com a reação - o corpo já desacostumara à esse tipo de contato com o claro - e chegou a passar em minha cabeça se cortar a corda seria uma opção aceitável. - De novo: "Bata, bata! Logo!" - .
Talvez obedecer a minha sanidade tão fora do comum pudesse ser a atitude mais propícia. Mas pelo sim e pelo não, ficaria com o gelo raspante ou o fogo do martírio? Adrenalina, efusão, ou comodismo de uma convicção possivelmente correta, que na verdade era incolor? - "Não bata. Agora pense" - .
Pensar estava totalmente fora de cogitação, mas não deveria estar. Talvez a minha, a nossa salvação estivesse na dor de algumas veias e mais alguns neurôneos bufantes dentro deste oco completo. Isso parece tão impossível agora.
E as luzes que entraram de graça pela abertura deixada sem percepção, foram aumentando, surpreendentemente, assim como vieram. - "Feche-as, agora! Feche as janelas!" - era quase um súplico. Teve de me perdoar, é incontrolável, interminável, inesperado, ultrapassando o extraordinário. É pra mim.
Todos os pensamentos que eram evitados há todo esse tempo foram soltos, libertos de uma única vez, fazendo a loucura dentro do meu "oco" já não tão oco piorar. A realidade tem gosto de tristeza, agora. A tentativa tem gosto de insanidade aos meus olhos sã...agora.
As luzes só deram sonhos ao meu sono, mas não me fizeram acordar. Nem em paz, nem gritando.
Mas como resposta, a janela ainda está entreaberta.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Hipérbole é meu sobrenome

Exagero não é proeza, nem fraqueza, sou eu.
Sem razões, das quais não faltam emoções. Não me completo e nem me completarei até a morte. Vivo querendo, mesmo sem poder ou dever. Medo e receio me tomam, mas a glória é sempre buscada, e mesmo que não alcançada, vem alguns vestígios...sempre.
Um mar de razões vivo na espera, à espreita, aguardando. Milhares de espinhos sempre vem ao encontro de minha fraqueza. Um caminhão de desejos, e um amor do tamanho do céu, contendo a incerteza do tamanho de Júpter. - eu sou de lá - .
Uma mente não muito sadia, embora o exagero deva ser descontado. Um mundo todo dentro de 1,73 metros. Fiz caber, mas deve ser pela limitação de espaço que a organização é algo que passa longe desse lugar, que mais parece um balde de neurônios.
As palavras tem fugido. Devem estar correndo, fugindo, agora, para mil e um lugares, cujo minha boca não está nos planos.
É, elas realmente fugiram. Vou dar trocentos socos nelas quando voltarem, se voltarem, está bem?! Enquanto continuo correndo milhas e milhas em busca delas, prepare as suas, ou apenas limpe a mente para ler mais infinitas e infinitas das minhas.

Hiperboleana, com orgulho, e com receio à isso.

Caminho, escada, trilha, ponte...?

Não há.
Depois que a queda já é amortecida por ser constante, depois que se prova do gosto da estrada longa, isso é, quando se tem estrada, e depois que se despenca na água, não necessariamente naquela queda livre, mas falando das quedas em geral, se descobre que não há nem nunca houve caminho, escada, trilha, ponte, ou qualquer outra coisa que te leve por si próprio à qualquer lugar que não seja sua mente destorcida e nada imune à sua falta de controle.
A mesma vontade de escapar, a busca eterna pelo refúgio, cada vez mais forte e ardente.
Ela já está no cavalo, com a espada na mão, esperando por algo que nem ela e nem você sabe o que é para declarar sua independência. A independência dessa aberração sem nome ou sobrenome, identidade ou digitais. Talvez ela nem exista; Talvez seja só sua; Talvez seja você.
Ainda que sem resposta, e por pura carência mental, acredita-se fielmente em sua existência, abominando a possilbilidade da mesma ser falsa. Ainda que sem resposta. Puro vício.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Escasses mental - Alma em cansaço

Essas palavras estão mudas.
A mente já não é mais o foco da alma, e a alma se quer tem foco. A mente já não é, porque muito já foi.
É chegada a hora de saber o que fazer, de coragem. E passada essa hora, só chegam à mim mais dessas mesmas. Mesmisse, das difíceis.
Um cansaço interno e externo toma conta de mim por inteiro, cada dia um pedaço à mais, pedaços que eu pudera jurar que se quer existiam.
A cada dia tomo mais ciencia de que minha alma quer fugir de mim, que ela tem um plano pra isso, e que o plano está em ação, pois sinto ela triturando pedaços de meu corpo à procura de qualquer saída. Liberdade. É só o que ela quer, e eu também.
O corpo já não tem função vital, já não é mais visto por mim como algo essencial à um humano. - humano é uma palavra que para mim encontra-se enigmática. - o corpo está tão inútil, tão derrotado, escasso.Não há momentos em que a felicidade me invada como um todo, que ela me engula. E nem momentos em que a tristeza seja completa em cada milímetro meu. Não há momentos, as coisas só estão passando.
Não constato valor algum no que passa por aqui, mas busco freneticamente por algo que me irradie os olhos. Buscaria mais, se o corpo quisesse correr, e se a alma pudesse me acalmar.
Mas isso é tão particular, tão meu. Nada do que eu diga fará morada em ti...
Essas palavras estão mudas.

domingo, 1 de março de 2009

Boo!

Só pra constar.

O tempo passou, e esses segundos estão doendo como ferida escancarada. Cada segundo à mais do relógio, é um à menos da minha sanidade.
Cada passo seu, é um passo meu, para trás, para o escuro, voltando.
Ver seus olhos de novo, inesperadamente, não me soou como uma boa coisa; Relembrar que eles eram a luz, que eu não enxergava há tempo, fizeram a vista doer.
Meu corpo, como de costume, não me obedeceu. Mas eu não esparava que os gritos agudos de dor e de vazio fossem ser tão altos.
Ainda que me causando dor...apareça.

Só pra constar.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Primeira batida - Queda livre

"...Incontáveis vezes, desejei a morte de qualquer outro sentimento em mim. Só esse bastava. Por diversas vezes acreditei que meu sangue nisso fosse preencher a ferida que era imaginar que sua fraqueza te faria ceder.
E enfim, depois de abismos de queda sem fim, incontáveis metros, quilômetros de queda livre, algo me segurou, me parou no caminho. Suas mãos pela primeira vez tocaram esse ser entregue com real vontade. Me impediu de cair, por um bom tempo. Suas mãos, meu menino, me seguraram e não deixaram que eu caísse da ilusão para o cruel realismo de uma vez só. Te ter, mesmo que daquele jeito, era te ter e pronto. Era poder denominar o tempo que passava em chão firme - ou não - de viver.
O que tu achas que foi para mim estar próxima, tão próxima à minha fonte vital? Eu só conseguia enxergar o que via em minha frente, à frente de tudo, mesmo que não em presença, e era você.
Eu morri umas mil vezes dentro dos seus olhos. Morri mais umas mil dentro de seus braços. Desejei me prender em ti, um milhão de vezes. Se eu só enxergasse seus olhos, poderia não ver a luz de mais nada. Te ver, frente à mim, era o meu maior sentido. Só contigo me senti viva, e me sinto, todas as vezes que lembro daquele seu sorriso, sabe? O meu preferido. Quando sua testa estava junto à minha, seu olhar ao meu, e você me sorria torto, como se eu fosse o foco da sua alma, eternamente. Como se eu fosse, o que você é pra mim.
Meu primeiro, meu eterno, te vi jogar tantas vezes meus braços, meus laços pela janela. Te ganhar num só movimento era o suficiente para me manter viva. Entende, tente, você era o que me fazia viva. Era só contigo em frente ou em imagem, que eu sentia que ainda havia sangue, que ele era quente, e que havia algo que batia, em velocidade máxima, fora de controle, em total desarmonia com o resto de mim, que devia ser meu coração. Era contigo, somente contigo que o ar que eu respirava passava pelos pulmões, ou me dava uma razão para acreditar que aquele ciclo era essencial para mim. Somente contigo, o tato do meu corpo voltava, meus sentidos, todos, afloravam, e eu só os queria para usar contigo. Para te sentir. Só te sentir, me fazia viva. Só te sentir, me fazia ver que eu ainda estava situada em algum lugar que não fosse o abismo que eu caia sempre que tu abria seus braços, os laços, de minha volta.
Os caminhos se estreitavam por mim, e você, meu amado, nem sempre estava à espreita pra tentar me tirar ou me guiar para o lugar certo.
Quantas vezes eu fechei os olhos e te vi claramente, cada semblante, cada detalhe, me pedindo pra não desistir de ter em mãos o único caminho que eu desejara seguir. Seus olhos, todas as vezes, acenavam no meu caminho, escurecendo a vista dos meus.
Tu devia ter entendido. Dei meu sangue até a última gota, chorei até secar a última lágrima dentro de mim, dei minha força até que eu despencasse, em queda livre.
Meu pequeno, meu amado, minha razão, eu busquei por ti nos oceanos mais profundos, nos destinos mais distantes, nos caminhos sem trilhas, nos céus em que o ar me faltava. Eu te busquei, amado, até onde um coração aguenta, ou simplesmente não existe mais. E o inferno chegou. Se quer me entorpecer resolveria. E então eles vieram, os fôlegos arrastados. Perigo. Perigosas, mortais passagens em minha cabeça. - Se tu soubesses, minha vida, como queria ser a sua - . Te sentir distante, fez eu perder os sentidos novamente. Sabe o que é não ter mais forças para lutar, pelo que é tudo para ti? Sabe o que é perder a fala toda vez que lembra de um único rosto? EU TE IMPLORO! ME ENTENDE! Eu dei tudo de mim, eu fui até onde eu ainda existia. E mesmo que sem ti, sem meu ar, minha vida, eu não tenha sentido, preciso tentar recompor e reconstruir qualquer coisa que sobre. - Sobrará? - . E só de pensar, que eu não vou mais estar em casa, e correr o risco de te ver arrombar a porta e me pegar, me levar... o inferno está bem mais próximo do qu pensei que ele estivesse.
Te garanto, meu destino, eu morri milhões de vezes, pelas palavras que precisei dizer, pelo fôlego que faltou durante um bom tempo, pela força que não te fiz ter. Morri, morro à cada dia em que tomo mais consciência de que perdi metade de mim, mais, que perdi a luz dos seus olhos, que para os meus dias, é perder a glória.
Eu estendo um tapete por onde quem te encontrar pelos cartazes estampados na minha alma, possam te trazer pra mim. Ainda restam tropas de um amor sem fim que te procuram. E definitivamente, a esperança é a última a ter fim nessa e em outra qualquer loucura.
Me procure, em versos, ruas, portões... lembranças..."

E enfim, depois de abismos certeiros, de incontáveis metros, quilômetros de delírio de um corpo agora sem alma, vieram, de mim, incontáveis metros, quilômetros de queda livre. Sim, queda livre... e eu ainda te amo.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Primeira batida - Quando um coração desperta

"...E foi como se eu sempre soubesse de sua existência, meu primeiro.
Você despertou um coração. Deu a ele a primeira batida, a que ele jamais esperara ter.
Ele bateu, durante todo esse tempo pelos seus olhos, os únicos olhos, que eu desejava morrer dentro.
E eu morria, a cada segundo que passava pensando no como seria terrível perder o calor que até mesmo em sua ausência eu sentia.
Assim que eu dei por mim, eu não estava mais aqui por minha causa. Eu tentava dançar outras melodias, gritar por outras piedades, desejar outros braços, lutar outras esperanças...mas nada fazia meu coração bater, como na primeira batida.
Foi como se em meu peito tivesse dormido todo esse tempo. Foi como se meu peito tivesse servido de ninho. Foi como se ele só estivesse esperando, para realmente me fazer viva, para bater, a primeira batida.
Tu despertastes, meu encanto, tudo o que um peito tão só não conhecera. Eu esperei por ti na minha ilusão particular. Te esperei sem saber que esperava. E ao despertar esse prisioneiro teu, foi como se eu sentisse todo o vermelho do mundo dentro de um espaço que era tão limitado.
Tu ouvistes? Meus gritos? Suplico a existência para me manter segundos ao seu lado. Só te olhar, meu amado, já é divino!
Eu já não conhecia nada ao meu redor. Não tinha consciência dos lugares que sempre andei, da minha própria rotina. Te tomava a cada dia, tu já tinhas se tornado meu alimento. Te sentia inteiro, dentro de mim!
Acreditar fez parte do delírio em que meu corpo todo se encontrava. Te dediquei meus dias, minhas noites, sorrisos e mente. Tudo o que podia, meu amado, tudo! Tu tinhas que entender, ao menos entender, que não havia mais peito, mais coração, não havia mais noites com sonhos, manhãs em que o sol nascesse de novo, nem se quer um dia em que meu peito bateria, como na primeira batida, se não houvesse mais você.
Meu amado, meus dias são tua escolha. Minha alma segue somente um caminho: o de te amar inteiro.
Tu te tornou não só responsável pela primeira batida, mas sim por todas as outras depois dessa. Todas as de verdade.
Entende, por favor, eu vagaria infinitos, eternidades ao teu encontro. Eu enfrentaria exércitos de solidão pelo tempo que fosse, se eu soubesse que tu serias o destino dessa minha jornada.
E assim, me entreguei. Já não me pertencia mais. O destino de continuar tendo sangue quente pulsando nas veias, de sentir os batimentos - como o primeiro - de um coração que suplica sua presença, estava nas mãos de quem me tinha em mãos.
Eu só espero/esperei/esperava a tua convicção vir tão forte e rápida e dominante como a primeira batida.
Os dias, todos, sem pisar no chão, sem sentir firmesa. Os dias, todos, respirando com dificuldade, engolindo com dor, e tendo a dormencia de meu corpo como recurso para cair em sono.
As noites, todas, eu saia do chão, sem consciência. As noites, todas, lutando para não respirar, engolindo a sede de te ter ali à seco, e tendo a adrenalina que percorria incessante em minhas veias como recurso para cair em febre, em doença, em que eu sabia bem minha cura.
Eu descobri, meu pequeno, que eu te amo! Amor sem refúgio, sem escolha. Mas tu eras e sempre seria minha escolha. Eu descobri, que pra sempre, independente, tu serias meu eterno amor. Meu eterno responsável pela inconsciência própria.
Temendo: estou sujeita a morrer na minha própria escolha. De alguma maneira, eu confio na morte..."

A primeira batida - quando um coração desperta... eu te amo.

Acalanto

Poesia de suas palavras, meu ombro, são meu descansar, segurança.
Poesia de suas palavras, minha luz, são as que me permitem cair em sono, em noites frias ou quentes, de dor ou sossego.
Te ver chegar me fez abrir os braços. Te salvar da escuridão, deu à mim também a luz. Te ver sorrindo, minha graça suprema, me encheu de força, de vontade... de força de vontade!
E se teu corpo suar de desespero, e a alma não te deixar engolir sua sede, quero te ver chegar, quero te abrir os braços. Te salvar da escuridão, te levar à luz. Te ver sorrir ... - ... me ver sorrir... - ...e em graça suprema, te encher de força, de vontade... de força de vontade!
Se o medo te fizer reprimir o corpo, torcer a alma, sempre vou estar perto o bastante, e lhe segurar num abraço, o maior dos abraços, te pegar as dores, te ninar num acalanto de puro amor, pra que tu inteira descanses de toda angústia. E não te deixar despertar, até que o sol te acorde por si próprio.
Acalanto, minha poesia, sua poesia, acalanto de amor. Nos uniu em força, a nossa força!
Surgiu como vento surge. Nasceu como se nasce a esperança. E fez, como típico de si, Maisa, eu te amar.
Nem que eu tenha que me afogar para secar suas lágrimas, nem que eu tenha que perder a força nas pernas, cair de joelhos, eu te segurarei, minha segurança, e cantarei para ti ninar, mais um acalanto.
Poesia de seu olhos, meu encanto, me dá força, a nossa força!
Poesia, a nossa, nos faz ter força, a nossa força, pra sempre!